Pesquisa aponta que um terço dos brasileiros já utilizou antibióticos sem prescrição médica ou interromperam o tratamento antes do prescrito
O uso inadequado de antibióticos continua sendo um dos principais desafios para a saúde pública. A automedicação e a interrupção precoce do tratamento contribuem para o aumento da resistência bacteriana, um problema que pode tornar as infecções cada vez mais difíceis de tratar. Por isso, a equipe de Farmácia do Hospital Estadual de Trindade – Walda Ferreira dos Santos (Hetrin), unidade do Governo de Goiás administrada pelo Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (IMED), alerta para os riscos da automedicação e do uso incorreto desses medicamentos.
Dados da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) revelam que um terço dos brasileiros já utilizou antibióticos por conta própria, sem orientação médica. Além disso, 24,5% afirmam fazer esse uso uma ou mais vezes por ano. A pesquisa mostra ainda que a dor de garganta é o principal motivo que leva as pessoas a se automedicarem com antibióticos. Sintomas como dor muscular e dor de cabeça também foram citados, embora nem sempre estejam relacionados a infecções bacterianas.
A coordenadora de Farmácia, Jessyca Bessa, alerta que um dos erros mais comuns é interromper o tratamento assim que os sintomas apresentam melhora. “Mesmo com a melhora, algumas bactérias podem continuar no organismo. Quando o tratamento é interrompido antes do tempo indicado, essas bactérias podem sobreviver e se tornar mais resistentes, dificultando futuros tratamentos”, explica.
Segundo a especialista, o uso de antibióticos deve ocorrer apenas com prescrição e acompanhamento profissional, já que nem toda infecção exige esse tipo de medicamento. “Muita gente acredita que pode utilizar antibióticos para qualquer quadro de febre, dor de garganta ou gripe, mas isso não é verdade. Os antibióticos não funcionam contra vírus, como os causadores da gripe e do resfriado. Por isso, é fundamental buscar avaliação médica antes de iniciar qualquer tratamento medicamentoso”, destaca.
Resistência bacteriana
A resistência bacteriana acontece quando as bactérias desenvolvem mecanismos que reduzem ou impedem a ação dos medicamentos. Como consequência, infecções que antes eram tratadas com facilidade podem exigir tratamentos mais longos, medicamentos mais complexos, internações e até apresentar maior risco de complicações.
“Usar antibióticos por conta própria, em doses erradas ou por tempo inadequado aumenta o risco de resistência bacteriana, que é um problema sério de saúde pública. Isso faz com que as infecções fiquem mais difíceis de tratar e reduz as opções de medicamentos eficazes para os pacientes no futuro. Mesmo que os sintomas melhorem antes do fim do tratamento, é importante manter o uso do medicamento pelo tempo determinado pelo profissional de saúde”, conclui Jessyca.

